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TRAJETÓRIAS NEGRAS BRASILEIRAS

Data - 19/11/2019

Local - Câmara dos Deputados

Cidade - Brasília/DF

Censor - Poder Legislativo (deputado)

Caso - A censura diz respeito a uma das obras expostas na mostra Trajetórioas Negras Brasileiras, aberta para marcar o Dia da Consciência Negra na Câmara. Uma charge do cartunista Latuff, que aborda a violência policial contra a juventude negra, foi destruída pelo deputado federal Coronel Tadeu (PSL) na tarde do dia 19. O ato é considerado censura por este Observatório, dentro dos critérios adotados (veja mais no "Sobre"), na medida em que o vandalismo impede o público de ver a obra e fere o direito à livre expressão do artista. A obra já foi replicada e colocada de volta à mostra. 

Relato do artista - "O policial se jacta tanto que é preparado, ‘tiro, porrada e bomba’, mas não resiste a uma charge. Reage dessa maneira. O painel não tem como se defender. Uma charge impressa não tem como se defender. É um ataque covarde contra um painel" (Latuff, em entrevista à Folha)

Algumas publicações - O Globo, Folha, IstoÉ

Enfim, Capivaras

Imagem - divulgação

Data - 13/11/2019

Local - Feira do Livro de Nova Hartz

Cidade - Nova Hartz/RS

Censor - Poder Executivo (prefeitura)

Caso - A escritora Luisa Gleiser teve sua participação na Feira do Livro municipal cancelada há duas semanas do evento, com a justificativa de que seu livro "Enfim, Capivaras" contém"linguajar inadequado." O livro traz a história de omenino Binho, "um mentiroso contumaz e agora passou dos limites: inventou que tem uma capivara de estimação. Narrado durante as doze horas de uma noite regada a álcool, salgadinhos, segredos e romances mal resolvidos, Enfim, capivaras explora, através de diferentes pontos de vista, os relacionamentos entre um grupo de adolescentes em busca de uma capivara – ou muito mais do que isso."

Relato da artista - "Eu vi como censura a partir do momento que a prefeitura adquiriu livros que os alunos não terão acesso. Mais do que a minha fala ser censurada, esses livros não vão circular. Porque uma coisa é não gostar de certas palavras. Mas é esse discurso totalitário de 'não vamos falar disso' que me incomoda mais." (Em entrevista ao  G1)

Algumas publicações: G1

Isto não é arte

Imagem - divulgação

Data - 23/10/2019

Local - Espaço Cultural Correios

Cidade - Niterói/RJ

Censor - gestor público

Caso - A exposição "Isto não é arte", de Gabriel Grecco, inauguraria em dezembro no centro cultural. Segundo o artista, a instituição pediu que ele retirasse da mostra duas obras, o que fez com que o artista optasse por cancelar o evento.  Uma das telas mostra uma criança armada vestindo uma camiseta que remete ao Capitão América, enquanto a outra traz um homem, também portando arma de fogo, com uma tatuagem de suástica. O centro cultural argumentou que não queria gerar polêmicas e que as obras continham “imagens sem aderência aos seus princípios de gestão cultural”.

Relato do artista - "Foi uma surpresa porque nas telas não há nada de política nem contra o governo. Se tenho uma proposta de exposição aprovada e não posso colocar as obras que quero nela, isso é censura". (Entrevista a O Globo)

Algumas publicações - O Globo, BandNews

Universo Feminino

Foto - Janaína Reis

Data - 20/10/2019

Local - Centro Municipal de Educação Adamastor

Cidade - Guarulhos/SP

Censor - Poder Executivo (prefeitura)

Caso - Cinco fotografias da fotojornalista Janaina Reis foram retiradas da mostra Universo Feminino por ordem do prefeito do município. As fotos registram o ato "Ele Não" em São Paulo, realizado espontaneamente por mulheres que criticavam o então candidato à Presidência  Jair Bolsonaro. Em áudio vazado nas redes sociais, o prefeito ordena à secretaria de cultura: “Fazer uma menção contra um governo federal que acabou de começar? Vocês têm dez minutos para retirar isso, tudo que faça menção às questões políticas, partidárias, nominais, eu quero fora”. Segundo Janaina, um vídeo postado por uma pessoa nas redes sociais que afirmava que a mostra era "contra o presidente" contribuiu para que o prefeito censurasse as obras. A mostra era organizada pelo coletivo Fotógrafas Guarulhenses. Em nota, a prefeitura afirmou que o espaço "é um espaço público inapropriado para manifestações de cunho político".

Relato da artista - "A censura aconteceu na segunda exposição do nosso coletivo, que tinha como tema o universo feminino. Em nenhum momento, o prefeito tentou entrar em contato conosco para se informar. Soubemos que as fotos foram retiradas por um veículo de imprensa daqui. A imprensa local começou a dizer que o coletivo é um coletivo partidário. O coletivo não é vinculado a nenhum partido político, as fotos estavam dentro do contexto da exposição, repesentando o momento de luta política das mulheres brasileiras". (Janaína Reis, em depoimento ao Nonada). 

Algumas publicações - Folha

Grafite com Greta Thunberg

Imagem - Drielkson Ribeiro/divulgação

Data - 1/10/2019

Local - viaduto São Cristóvão

Cidade - Sinop/MT

Censor - desconhecido

Caso - Um grafite com o rosto da ativista ambiental Greta Thunberg, de autoria do artista acreano Matias Souza, amanheceu vandalizado três dias depois de ser pintado como parte de um evento de grafite, que promovia a revitalização do espaço público em Sinop. A frase "Lula tá preso babaca" foi pichada em cima do grafite, o que também constitui censura conforme os critérios utilizados por este Observatório (lei mais aqui). Na tarde do dia 30, o grafite, juntamente com outra obra do grafiteiro amazonense Raiz Campos, com a figura do cacique Raoni, havia sido criticado por parlamentares ligados ao agronegócio na Câmara de Vereadores. A prefeitura afirmou que a imagem será apagada e substituída por um animal presente na região. 

Algumas publicações - Revista Fórum, Uol

Caranguejo Overdrive

Foto - divulgação 

Data - 28/09/2019

Local - Centro Cultural Banco do Brasil

Cidade - Rio de Janeiro/RJ

Censor - gestor público

Caso - Dentro da programação do festival "CCBB - 30 anos de Cias", a Aquela Cia foi convidada a apresentar dois espetáculos de seu repertório, Caranguejo Overdrive e Guanabara Canibal. Conforme informa a companhia, menos de 10 dias antes do início das apresentações, com a pré-produçao já em andamento, o CCBB informou ao grupo que Caranguejo Overdrive não poderia mais ser apresentado, mas nao apresentou justificativas para o cancelamento. Com dramaturgia de Pedro Kosovski e classificação indicativa de 18 anos, a peça se passa em 1870 e aborda as remoçoes urbanísticas na cidade do Rio de Janeiro, passando também pelos fatos políticos brasileiros desde as Diretas Já até a atualidade. Confira a resenha do Nonada - Jornalismo Travessia. Apesar de cancelado, o espetáculo ainda está nas platafromas de divulgação do CCBB. 

Relato do artista - "Infelizmente situações como essa vem se tornando cada vez mais recorrentes nas instituições de cultura do Brasil e, mais especificamente, no contexto de celebração de uma instituição do porte do CCBB, só poderíamos manifestar o nosso pesar. Acreditamos que as instituições culturais públicas devem fazer jus a pluralidade da sociedade brasileira, e não simplesmente acatar a um dirigismo. Gostaríamos também de manifestar, mais uma vez, nossa solidariedade aos artistas e grupos que nos últimos tempos vem sofrendo com atitudes unilaterais e perseguições" (Comunicado).

Lembro todo dia de você

Foto - Giovana Cirne

Data - 19/09/2019

Local - Caixa Cultural do Rio de Janeiro

Cidade - Rio de Janeiro/RJ

Censor - gestor público

Caso - Espetáculo musical de sucesso da companhia Núcleo Experimental, Lembro Todo dia de Você estrearia entre os dias 10 e 20 de outubro no centro cultural. Poucos dias antes da estreia, quando o espetáculo já estava na fase de pré-produção e preparação da logística, o grupo foi informado que a temporada havia sido cancelada. A peça traz como personagem central um soropositivo e também aborda questoes LGBT. A Caixa apresentou como justificativa para o cancelamento uma reforma no teatro onde estrearia a peça, mas se recusou, até o momento, em remarcar a temporada ou agendar o espetáculo para outras cidades. A produção é uma das vencedoras do edital de ocupação da Caixa, que determina que as apresentações ocorram até até 2020. 

Algumas publicações - Folha, Observatório do Teatro

Gritos

Foto - Renato-Mangolin/divulgação 

Data - 17/09/2019

Local - Caixa Cultural Brasília

Cidade - Brasília/DF

Censor - Poder Executivo (Governo Federal)

Caso - O espetáculo Gritos, da Cie Dos à Deux, estrearia na Caixa Cultural Brasília entre 19 e 22 de setembro, junto a Aux Pieds de la Lettre, outro espetáculo do grupo. Ambos foram aprovados pela Caixa. No entanto, após envio de material de divulgação para a Secretaria Especial de Comunicação Social do governo Federal,  a instituição foi informada que o espetáculo Gritos não poderia ser apresentado. Segundo a companhia, a Secom solicitou a Caixa mais detalhes da sinopse de Gritos, espetáculo que traz como personagem a travesti Louise. Nenhuma informação adicional foi solicitada a respeito do outro espetáculo.

Com base nos critérios descritos pela professora da USP Maria Cristina Castilho Costa, o Nonada - Jornalismo Travessia considera este fato um ato de censura velada. A professora afirma que "a censura se manifesta através de ações judiciais, de pressão econômica, de assédio moral, de atitudes políticas de iniciativa do Estado mas, hoje, disfarçada de proteção, política de comunicação, defesa da ordem social. Para identificá-la precisamos lançar mão de recursos interpretativos que nos permitam evidenciar a intenção de silenciamento da oposição política, da crítica e da denúncia ideológica."

Relato do artista - "Infelizmente, em que pese o empenho dos representantes da Caixa Cultural, não foi possível realizar o projeto na configuração originalmente planejada, que incluía o espetáculo GRITOS. A Cia Dos à Deux reitera o seu compromisso com a liberdade de expressão e afirma que continuará lutando contra toda forma de censura, seja ela velada ou explícita" (Comunicado em redes sociais).

Abrazo

Foto - divulgação 

Data - 07/09/2019

Local - Caixa Cultural Recife

Cidade - Recife/PE

Censor - gestor público

Relato - A instituição cancelou a temporada de apresentações do grupo Clowns de Shakespeare logo após a realização da sessão de estreia, que ocorreu no sábado (7). A Caixa alegou que o grupo descumpriu cláusulas contratuais, mas sem detalhar imediatamente o que teria causado o descumprimento. Selecionado pelo edital "Programa de Ocupação dos Espaços Caixa Cultural", o espetáculo "Abrazo" uma obra voltada para o público infanto-juvenil. Num lugar em que não é permitido abraçar, personagens atravessam um quadrado contando histórias de encontros, despedidas, opressão, exílio, afeto e liberdade. A peça é inspirada na obra "O Livro dos Abraços", de Eduardo Galeano. Atualização - Cinco dias depois do cancelamento, a instituição afirmou ao grupo que houve descumprimento do " inciso VII da Cláusula Quarta, que prevê que a contratada seja obrigada a “zelar pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”, e que isso teria ocorrido no bate-papo realizado após a primeira sessão.

Relato do artista - "Ainda sem ideia do que poderia ser alegado, uma vez que não reconhecemos nada que pudesse gerar esse tipo de reação, e diante da ausência de informações adicionais, não conseguimos imaginar outra razão para essa rescisão que não seja censura ao nosso trabalho e pensamento.Dessa forma, nesta quinta, 12/09, foi aberto um processo judicial apresentando um pedido de tutela antecipada em caráter antecedente, junto à 2a Vara Federal da Justiça Federal/PE." (Nota oficial).

Algumas publicações - O globo, Uol

Bienal do Rio

Foto - reprodução 

Data – 07/09/2019

Local – Riocentro

Cidade – Rio de Janeiro/RJ

Censor – Poder Executivo (prefeitura) e Poder Judiciário

Caso – Na noite do dia 5 de setembro, quinta-feira, o prefeito do Rio de Janeiro publicou um vídeo nas redes sociais anunciando que estava determinando aos organizadores da Bienal que retirassem o livro “Vingadores - A Cruzada das Crianças”, que continha um beijo entre dois meninos adolescentes, dos estandes. A Bienal reagiu afirmando que não retiraria os livros, que acabou se esgotando na manhã do dia seguinte. À tarde, fiscais da prefeitura foram à Bienal, de forma extrajudicial, com o objetivo de confiscar não só o livro citado como qualquer outro de temática LGBT, mas não acharam mais nenhum livro com o tema. No mesmo dia, a Justiça concedeu liminar à Bienal garantindo o direito à venda dos livros. No dia 7 de setembro, o presidente do Tribunal de Justiça do RJ suspendeu a decisão que barrava a apreensões, permitindo, dessa forma, que os fiscais censurassem os livros. Os funcionários voltaram à Bienal na tarde do dia 7, mas novamente não encontraram nenhum livro para apreender. Na mesma tarde, o Youtuber Felipe Neto distribuiu 14 mil livros com conteúdo LGBT que havia adquirido na Bienal na noite anterior. No dia 8, o STF determinou que é ilegal a apreensão dos livros. 

Relato dos organizadores – “Consagrada como o maior evento literário do país, a Bienal do Livro mantém sua programação para o fim de semana, dando voz a todos os públicos, sem distinção, como uma democracia deve ser. Este é um festival plural, onde todos são bem-vindos e estão representados” (Comunicado)

Algumas publicações  - Uol, El País, Exame

Independência em Risco

Foto - divulgação

Data – 03/09/2019

Local – Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Cidade – Porto Alegre/RS

Censor – Poder Legislativo

Caso – A exposição Independência em Risco trazia cartuns de 1 cartunistas, com a temática da liberdade de expressão. Ainda que a presidência da Câmara já tivesse autorizado a mostra, voltou atrás na decisão horas depois da abertura, atendendo pedido de outro vereador para que a exposição fosse impedida de ocorrer. O argumento para o fechamento da mostra foi a presença de charges ofensivas, especialmente um cartum com críticas a Jair Bolsonaro, que mostrava o presidente lambendo o sapato de Donald Trump, de Latuff. Atualização - Em 12 de setembro, os cartunistas conseguiram na Justiça o direito de ter as obras expostas novamente na Câmara. A presidência da Casa prometeu não recorrer.

Relato do artista – “O tema da exposição Independência em Risco parece que foi realmente um título muito apropriado para os tempos que estamos vivendo. A própria atitude de vereadores como Valter Nagelstein demonstram bem que esse título está correto. Não só a nossa independência, a nossa soberania que está em risco, como também algo muito caro às democracias que é a liberdade de expressão” (Latuff, em entrevista ao Sul21)

Algumas publicações - Sul 21, Folha

Dança das Cadeiras

Foto - divulgação

Data – 1 de setembro de 2019

Local - shopping Ponteio

Cidade – Belo Horizonte/MG

Censor – empresa

Caso – Uma cadeira com pintura do artista Breno Barbosa foi retirada da exposição “Dança das Cadeiras”, com o argumento de que a obra era um “atentado ao pudor”. A obra, que representava a figura de um homem nu, foi transferida para a Carminha Macedo Galeria Arte.

Relato do artista – “O Zé é uma criação em homenagem aos designers de móveis que admiro como Jorge Zalsupin e Joaquim Tenreiro, uma brincadeira irônica com o glamour e o luxo, e sobretudo uma espetada na hipocrisia social, no falso moralismo e no desejo obsceno por poder tão exaltados atualmente” (Breno Barbosa, em entrevista ao portal Fórum).

Algumas publicações - Revista Fórum, Estado de Minas

Di Uma Vez Por Todas

Foto - divulgação

Data – 31/08/2019

Local – teatro local

Cidade – Teofilo Otoni/MG

Censor – sociedade civil

Caso – Conhecido por interpretar Dilma Rousseff, o humorista Gustavo Mendes teve seu show interrompido pelos próprios espectadores, após o artista fazer críticas a Bolsonaro durante a apresentação. Parte dos espectadores passaram a discutir com o humorista e pedir o dinheiro de volta. A Polícia Militar também foi acionada por espectadores. O show foi interrompido.

Relato do artista – “Vocês já devem estar sabendo o que rolou em Teófilo Otoni, uma tentativa de censura, mas comigo não violão, comigo não. Eu fiz uma piada com o Bolsonaro, no meu papel do comediante, e algumas pessoas se revoltaram e tentaram impedir o show. Eu botei eles para correr, botei para fora do meu show, porque fascista não tem lugar no meu show. A causa é maior, o problema deles não era político, não era piadas com política. Porque eles me conhecem, eu sou o Gustavo Mendes, eu pautei minha carreira em cima de política. O problema deles era o fascismo e o autoritarismo e achar que podiam calar um artista que sempre fez questão de ter voz, de falar suas posições mesmo que isso me custasse um alto preço. Censura não e eu quero contar com todos vocês que são contra a censura para não deixar esse autoritarismo covarde e cruel tomar conta do país”. (Mendes, no Instagram)

Algumas publicações - IstoÉ, Uol

3ª Mostra do Filme Marginal

Foto - divulgação

Data – 23/08/2019

Local - Centro Cultural da Justiça Federal

Cidade – Rio de Janeiro/RJ

Censor – gestor público

Caso – Três filmes foram vetados do festival por decisão do Centro Cultural, com o argumento de a instituição não exibir “produções de cunho corporativo, religioso ou político-partidário”. Dois filmes foram acusados de criticar o presidente Jair Bolsonaro: "Mente aberta" (2019) apresentava um áudio de Bolsonaro, "Rebento" (2019) trazia a frase “Repulsa ao presidente”. O terceiro filme, "Nosso sagrado" (2017), é um documentário sobre a intolerância contra as religiões de matriz africana. Por não concordarem com a decisão, os organizadores cancelaram a programação prevista para ocorrer no Centro.

Relato dos organizadores – “Após o envio da programação, a instituição nos comunicou sobre a impossibilidade de exibição de três filmes selecionados. Não concordamos com o entendimento da instituição e nos posicionamos contrário a postura da mesma" (comunicado).

Algumas publicações - Pipoca Moderna, O globo

Festa

Imagem - divulgação 

Data - 21/08/2019

Local - Viaduto das Artes

Cidade - Belo Horizonte/MG

Censor - desconhecido

Caso - Oito fotografias da artista visual paraense Berna Reale foram furtadas na madrugada do dia 21. Com três metros de altura e quatro metros de largura, as obras integravam "Festa", primeira mostra individual da artista. As fotografias mostravam policiais de farda comendo doces, além de uma obra em que meninos vestindo cuecas com estampa de fast-food estavam postos contra a parede. Câmeras de segurança das redondezas registraram o furto. Depois da 1h da madrugada, um grupo de homens equipados com capacetes usados na construção civil retiram as obras, que ainda estão desaparecidas. 

Relato da artista - "FURTARAM meus trabalhos 8 Fotografias! MEU PROTESTO será doar a todos que quiserem principalmente os que moram em BH esta fotografia que está no link 👆🏼acima na minha bio" (Instagram) 

Algumas publicações - O Tempo, Folha de S.Paulo, O Globo

Edital com filmes LGBT

Foto - divulgação 

Data - 21/08/2019

Local - Ancine

Cidade - Rio de Janeiro/RJ

Censor - Poder Executivo (governo Federal)

Caso - O Ministério da Cidadania decidiu cancelar um edital em andamento, que selecionaria obras para transmissão em TVs públicas. O motivo foi a presença de finalistas da linha de “diversidade de gênero”, que trazia três obras com temática LGBT: “Afronte”, “Transversais” e “Religare queer”. O anúncio foi feito após críticas de Jair Bolsonaro aos filmes via transmissão ao vivo nas redes sociais. Os filmes escolhidos como vencedores receberiam R$400 mil do Fundo Setorial do Audiovisual, principal meio de financiamento do cinema no Brasil. Após o anúncio, o então secretário de Cultura, Henrique Pires, renunciou ao cargo por não concordar com a atitude do Ministério.

Relato do artista - "Pra mim, é uma clara sinalização de censura. Apesar de ele negar, a partir do momento em que diz que produções LGBT não vão receber recursos, é censura" (diretor Émerson Maranhão em entrevista a O Globo)

Algumas publicações - O globo, Huffington Post 

Res Publica 2023

Foto - divulgação

Data – 18/08/2019

Local - Complexo Cultural da Funarte

Cidade – São Paulo/SP

Censor – gestor público

Caso – O espetáculo “Res Publica 2023”, da Companhia Motosserra Perfumada, estava previsto para estrear em outubro. Segundo o grupo, “a peça foi concebida em fevereiro de 2016, no calor de manifestações políticas que dividiam (e continuam dividindo) o país, e que têm mais recentemente tensionado a relação entre Arte e Cidade, questionando o papel do artista na sociedade brasileira”. No dia 18 de agosto, o grupo foi informado de que a estreia estava cancelada porque o espetáculo não reunia “qualidade artística” para ocupar o espaço. Até este ano, os espetáculos eram realizado por ordem de chegada no espaço. Novo diretor da Funarte, Roberto Alvim afirmou que vai mudar o sistema, filtrando espetáculos que considere inadequados. “A curadoria sob a minha gestão não aceitará mais peças com viés ideológico, seja de esquerda ou de direita, e que não sejam obras de arte”, afirmou, entrevista a O Globo.

Relato do artista – “Com esse gesto de censura – que, a rigor, nem lhe caberia, afinal, sua função no Governo é administrativa e não curatorial, cabendo-lhe no máximo nomear curadores, não curar espetáculos – Roberto Alvim mandou avisar que não medirá esforços contra peças que exponham qualquer conteúdo que lhe pareça crítico com relação ao Governo, fazendo prevalecer a patrulha ideológica sobre qualquer critério artístico. No fundo, o novo Diretor do Ceacen da FUNARTE apenas cumpre a surrada agenda do bolsonarismo: criar polêmicas morais e ideológicas, principalmente com artistas, para adiar o conhecimento público da inoperância do seu Governo, da debilidade administrativa e mental do seu Presidente e da farra dos interesses privados sobre as riquezas materiais e simbólicas do Brasil” (Carta Aberta).

Algumas publicações - Observatório do Teatro, O globo 

Show de Linn da Quebrada

Foto - Mariana Smania/divulgação 

Data – 02/08/2019

Local – desconhecido

Cidade – João Pessoa/PB

Censor – Poder Executivo (prefeitura)/gestor público

Caso – O show da cantora trans Linn da Quebrada que ocorreria na Parada LGBT de João Pessoa no dia 29 de setembro foi cancelado pela organizadora do evento, Fundação Cultural de João Pessoa, que afirmou que havia recebido uma “orientação” e que o discurso de Linn seria “muito pejorativo”.

Relato do artista – “Estávamos desde Julho em negociação com a Frankla (co-organizadora do evento), cumprimos todos os processos burocráticos para a realização do show. Porém, após uma reunião da organização da parada, juntamente com a FUNJOPE, recebemos a informação de que o show não aconteceria. A justificativa do veto se deu pelo posicionamento que Linn da Quebrada tem como artista, consequentemente seu trabalho, e o que a mesma representa como corpo político (...)Agora mais do que nunca cada encontro nosso, cada agrupamento é muito importante & fundamental pelo que podemos levantar, transtornar & fortalecer. O que mais me deixa triste é não poder realizar esse encontro agora nesse momento tão importante & delicado.” (Linn, pelo Twitter)

Algumas publicações - O Dia, Folha 

Show de BNegão

Foto - divulgação

Data – 27/07/2019

Local – Centro de Múltiplo Uso

Cidade – Bonito/MS

Censor – Polícia Militar 

Caso – O show da banda BNegão e o Seletores de Frequência, que ocorreu dentro da programação do Festival de Inverno de Bonito, foi interrompido por policiais militares após o artista tecer críticas a Jair Bolsonaro e contra a violência policial. A prefeitura se manifestou com uma nota de repúdio à atitude dos músicos.

Relato do artista – “Não só acabaram com o show, como expulsaram a galera empurrando, com cassetete, mostrando arma e jogando gás de pimenta. Estão tentando transformar [o Brasil] em um Estado policial. O prefeito falou depois que não é para fazer manifestação política. Então é censura total.” (BNegão, em entrevista ao Portal Uol)

Algumas publicações - Uol, Combate Rock

BIO-I

Foto - divulgação

Data – 23/07/2019

Local - Pinacoteca Aldo Locatelli

Cidade – Porto Alegre/RS

Censor – gestor público

Caso - Antes da abertura da exposição BIO-I, de David Ceccon, na Pinacoteca Aldo Locatelli, foi pedido ao artista que retirasse 4 obras da mostra. Ceccon negou-se e expôs as obras mesmo assim. No entanto, no dia da abertura (23/07), teve que retirar uma delas, uma escultura que misturava as formas dos órgãos sexuais masculino e feminino. A alegação foi de que a pinacoteca da prefeitura de Porto Alegre "não era um local de arte".

Relato do artista – “Na terça-feira dia 23/07/2019, mais ou menos às 18h, retirei uma das esculturas da série Untitled antes da abertura da exposição BIO-I. Durante a apresentação do projeto de exposição à Coordenação de Artes da Prefeitura, mais ou menos uma semana e meia antes da abertura, me foi convidado a não apresentar essa série neste espaço específico, a casa do poder executivo do município de Porto Alegre. Foi-me sugerido colocar, em seu lugar, algum outro trabalho. Ao refletir sobre essa situação, tomei a escolha de colocar os trabalhos no espaço. Primeiramente, por serem parte vital do meu processo artístico. Segundo, e mais importante, por assumir um posicionamento político e artístico frente a essa situação. Mesmo que tivesse que retirar os trabalhos do local, a escolha seria, então (como ocorreu), deixar o espaço vazio na parede, para não mascarar que esta conversa havia acontecido, bem como para pensarmos no por que de certos trabalhos não poderem ser vistos ou debatidos. No dia da abertura da exposição, recebi uma ligação horas antes da vernissagem, em que me foi solicitado remover as 4 obras da série de esculturas que estavam no local. Após uma segunda conversa, momentos antes da abertura, acordamos em retirar apenas a primeira das 4 esculturas, que foi a considerada ‘mais explícita’” (Ceccon, em relato ao Nonada)

Algumas publicações - Zero Hora, Portal g1

Coroação de Nossa Senhora dos Travestis

Foto - divulgação

Data – 19/07/2019

Local – desconhecido

Cidade – Belo Horizonte/MG

Censor – Poder Executivo (prefeitura)

Caso – O espetáculo, do grupo teatral Academia Transliterária, era uma das 447 atrações previstas para a Virada Cultural da cidade. Após uma petição online assinada por 15 mil pessoas que acusava o evento de “blasfêmia e afronta contra os cristãos”, o prefeito anunciou o cancelamento do espetáculo, que trazia uma personagem trans no papel de uma santa. Em nota, o Instituto Periférico, organização da sociedade civil (OSC) selecionada por edital para realizar a Virada Cultural, afirmou que “na medida em que uma parte da sociedade sentiu-se duramente ofendida, optou-se, então, pela suspensão da atividade”.

Relato do artista – “Extrapolamos o real, não pretendemos mais performar para mostrar o mundo como ele é, para isso temos as estatísticas, temos a convivência. Nós performamos como transformar o mundo. Nós tornamos a nossa representação em si real, uma revanche. (...)Coroação de Nossa Senhora das Travestis: um atraque literário é, portanto, uma celebração da potência que vive em cada travesti. Mas é também um encontro com todas as outras potências de todas as outras pessoas ali presentes, sejam trans, cis, hétero, homo, não binárias, intersexo ou como se identificam e seguem suas existências”. (Comunicado)

Algumas publicações - Portal g1, Uai

M´Bai

Foto - divulgação

Data – 16/07/2019

Local - Centro Cultural Mestre Assis

Cidade – Embu das Artes/SP

Censor – desconhecido

Caso – Aberta no dia 6 de julho, a mostra M'Bai amanheceu com trinta das quarenta obras destruídas no dia 16 de julho. Com itens como vasos de cerâmica e quadros, todas as obras eram de autoria de artistas indígenas. Não houve indícios de arrombamento nas entradas do prédio.

Relato do artista – “Manifesto meu profundo repúdio ao ato de vandalismo à mostra, que ocasionou na destruição de algumas obras de artes dos artistas expositores, inclusive a minha. Peço à Secretaria de Cultura de Embu das Artes a devolução da minha obra (em seu estado atual de ‘destruída’) após o ato criminoso que ocasionou na descaracterização da obra original.” (Thiago Carvalho Wera´i, no Faceebok).

Algumas publicações - Folha, Select, Veja

Serafina Nordestina e Tributo aos Orixás

Foto - divulgação

Data – 14/07/2019

Local – Praça das Artes

Cidade – Embu das Artes/SP

Censor – desconhecido

Caso – A escultura Serafina Nordestina, de autoria da artista Helaine Malca, amanheceu partida ao meio no dia 14 de julho. A obra era a representação de uma mulher do nordeste e era uma das 50 integrantes da mostra ‘Esculturas na Praça’. A obra Tributo aos Orixás, do artista Marcos Roberto, também foi vandalizada e com várias miniaturas roubadas. O escultor retirou a obra para reparos.

Relato da organização – “Nós, artistas, nos sentimos violentados com esta agressão. Pedimos a todos que dividam conosco e com o policiamento a responsabilidade de cuidar da praça, das esculturas e da limpeza. Estamos colaborando com o Embu para cada vez mais valorizar o nosso sobrenome: das Artes.” (Comissão organizadora, em comunicado)

Algumas publicações - Revista Circuito, Embu das Artes 

Facada Fest

Foto - divulgação

Data – 6/07/2019

Local – Mercado de São Brás

Cidade – Belém/PA

Censor – Polícia Militar

Caso – Policiais Militares interromperam e forçaram o cancelamento do festival de punk Facada Fest III, em Belém. Ataques ao festival estavam sendo realizados desde junho, quando um deputado federal se manifestou nas redes sociais contra a realização do evento. O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro também atacou o evento pelas redes sociais. “Tá valendo tudo nesse país da putaria da esquerda. Está na hora de agir antes que seja tarde, porque eles já mostraram ao que vieram e não têm mais vergonha alguma de esconder isso", disse.

Relato dos organizadores - "O Facada Fest surgiu da união de bandas autorais de rock (em especial de hardcore e punk) de Belém e região metropolitana, além de alguns coletivos de produtores e produtoras culturais independentes, todos unidos pela mesma causa: o rock raiz, o rock de protesto e de debates sociais. O nome “facada” é intencionalmente provocativo, sim, mas a nossa intenção é puramente a de tratar essa nomenclatura por abordagem de sátira e escárnio, linguagens presentes na música, literatura e arte como um todo desde sempre" (Em entrevista ao Último Segundo)

Algumas publicações - Último Segundo, Combate Rock, Blog do gerson 

O Sangue no Alguidá, Um Olhar Desde O Realismo Sujo Latino-Americano

Foto - divulgação

Data – 13/06/2019

Local – Museu dos Correios

Cidade – Brasília

Censor – gestor público 

Caso – Prevista para estrear no Museu dos Correios (do governo federal), a mostra teve cinco obras vetadas pela direção. Após o artista goiano Gerson Fogaça e o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez não concordarem com o veto, a mostra foi cancelada e transferida para o Museu da República, instituição do Distrito Federal. A justificativa da censura foi a presença de cenas de nudez, marcantes na literatura de Gutiérrez e retratadas nas telas.

Relato da curadora – “Só se eles não leram o material. Lá estava tudo explicado. O Fogaça narra visualmente a estética do Juan Pedro, que envolve sexualidade. Não são construções sexuais, ele traz representações do trabalho do autor cubano, que aborda a miséria e a sexualização no cotidiano das pessoas” (produtora Malu da Cunha, em entrevista ao Metrópoles)

Algumas publicações - Metrópoles, Correio Braziliense 

O que pode um casamento (gay)?

Foto - divulgação

Data – 29/05/2019

Local – Centro Cultural Banco do Nordeste

Cidade – Fortaleza/CE

Censor – gestor público

Caso – Item da instalação “O que pode um casamento (gay)?”, uma faixa com a frase “Em terra de homofóbicos, casamento gay é arte” foi retirada da frente do prédio. Segundo os artistas Eduardo Bruno e Waldírio Castro, haveria uma reunião para discutir a permanência da obra, mas a faixa foi retirada antes do encontro. Após a decisão, os artistas decidiram retirar as demais obras da mostra. Em solidariedade, outros artistas também retiraram todas as peças que compunham o 70ª edição do Salão de Abril no local, transferindo a mostra para o Centro Cultural Belchior. Em nota, o Banco do Nordeste afirmou que a obra estaria "descaracterizando a fachada do prédio e comprometendo sua identidade visual".

Relato dos artistas - "Pediram para retirar a faixa, alegando que ela só poderia ficar no dia da abertura. Então, expliquei que a faixa fazia parte da instalação e deveria ficar na área externa do Centro Cultural até o dia 30 de junho, conforme fomos autorizados. Nos falaram, ainda, que o Banco não pode vincular a marca a esse tipo de frase. Romperam nosso direito de expressão e não fizemos nada de forma ilegal. Passamos por curadoria, fomos selecionados. A faixa não incita violência, não tem palavra de baixo calão. A homofobia é tão forte que, mesmo numa obra pensada para falar principalmente sobre afeto, ela chega nesta instância” (Eduardo Bruno, em entrevista ao jornal O Povo)

Algumas publicações  - O Povo, Diário do Nordeste, Portal g1

Literatura exposta

Foto - Leticia Sabbatini / Mídia NINJA

Data – 13/01/2019

Local – Casa Brasil-França

Cidade – Rio de Janeiro/RJ

Censor – Poder Executivo (governo estadual)

Caso – A mostra Literatura Exposta foi cancelada no último dia em cartaz pela Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro. A programação do dia incluía uma performance com críticas à tortura na Ditadura Militar, incluindo duas atrizes interagindo com a obra “A voz do ralo é a voz de deus”, que trazia áudios do torturador Brilhante Ustra. Curador da exposição, Álvaro Figueiredo afirmou que o governo já tinha conhecimento de que haveria nudez na performance, argumento usado para cancelar a mostra. A performance foi realizada na rua no centro da cidade.

Relato do curador –“Censura à exposição Literatura Exposta! Fecharam nossa exposição um dia antes da data oficial como forma de impedir que as performances da finissage acontecessem. Comuniquei com antecedência o teor das performances à direção da Casa, foi autorizado e ontem à noite enviaram esse comunicado. Esse é o governo que temos. A arte vai sobreviver aos ignorantes” (Redes sociais)

Algumas publicações  - Portal G1, O Globo

O Mundo em 10 anos

Foto - divulgação

Data – 26/11/2018

Local - Espaço Cultural Antiga Igreja Matriz

Cidade – Dois Irmãos/RS

Censor – Poder Executivo (prefeitura)

Caso – Organizada pela Pinacoteca da Universidade Feevale, a exposição O Mundo em 10 anos teve obras atacadas nas redes sociais. Em especial, sofreram críticas telas com representações como uma transexual crucificada, mulheres nuas e referências políticas. Em nota, o vice-prefeito alegou que “o conteúdo não era adequado para um espaço público”.

Relato da artista – “A exposição se chamava "O Mundo em 10 anos" e era uma convocatória de arte postal do Projeto Circular - coletivo de serigrafia da Universidade Feevale. Cinco obras foram consideradas "impróprias" e geraram revolta no Facebook, fazendo com que primeiro a exposição fosse fechada e depois reaberta sem as cinco obras. Uma das obras considerada polêmica e imprópria foi a minha, que mostrava uma passeata feminista com bordados de flores sobre o postal. Obras das minhas colegas e amigas artistas que também foram consideradas polêmicas: um postal com uma mulher trans crucificada da Adriana Tesche e a um desenho de uma vulva da Leila Groth Ibarra. (Anna Rosa, em relato ao Nonada)

Algumas publicações - O Diário, O Diário

Meninos Sem Pátria

Data - 02/10/2018

Local - Colégio Santo Agostinho

Cidade - Rio de Janeiro/RJ

Censor - escola

Caso - O livro "Meninos sem Pátria" havia sido indicado para os alunos do 6º ano da escola. De autoria de Luiz Puntel, a obra aborda o exílio de um jornalista perseguido pela Ditadura Militar em 1964. Após publicação de uma página nas redes sociais, que acusava o livro de ser "doutrinação ideológica", pais passaram a pressionar a escola para impedir a indicação do livro. A escola cedeu à pressão. 

Relato do artista - "Eu fiquei surpreso. Meu livro é sobre a ditadura, um fato histórico. Jamais imaginei que, em 2018, seria censurado. Meninos Sem Pátria rendeu mais de 20 edições, sempre com boa aceitação do público e, principalmente, das escolas, que o recomendam para leitura didática. Não faz sentido acusá-lo de doutrinação ou proselitismo ideológico." (Puntel, em entrevista a El País)

Algumas publicações - Veja, El País 

Mural Liberdade

Foto - reprodução

Data – 1/08/2018

Local – Praça da Liberdade

Cidade – Belo Horizonte/MG

Censor – desconhecido

Caso – Feita com autorização do Instituto Amado, em parceria com a prefeitura para colori os tapumes de um prédio, uma pintura amanheceu pichada em Belo Horizonte no primeiro dia de agosto. Era uma obra da artista Patrícia Caetano, que retratou uma mulher nua com a frase “Respeita as Minas” no mural finalizado no dia 22 de julho. A pichação cobriu os mamilos e a genitália do desenho.

Relato do artista – “Queria homenagear e, ao mesmo tempo, pedir respeito. Respeito aos nossos corpos. Respeito ao nosso direito de ir e vir. Não quis fazer nada agressivo” (Patrícia Caetano, em entrevista ao Estado de Minas.)

Algumas publicações  - Estado de Minas, Hoje em Dia 

GRAFITE SEM NOME

Foto - reprodução/Facebook

Data – 01/05/2018

Local – Instituto Goethe

Cidade – Porto Alegre/RS

Censor – desconhecido

Caso – Um grafite no muro eterno do Instituto amanheceu pichado no primeiro dia de maio. De autoria de Rafael Augustaitiz e Amaro Abreu, a obra trazia a imagem de uma cabeça decapitada, cujo rosto era similar a Jesus. Com a pichação, a cabeça foi pintada com tinta preta, ao lado da frase “Ele ressuscitou”. O ato foi publicizado nas redes sociais pelo Centro Dom Bosco, que não assumiu a autoria da censura.  Em nota, o Instituto Goethe afirmou que “Em nenhum momento foi intenção do projeto ou do Instituto ofender sentimentos religiosos. O Goethe-Institut, como instituição cultural presente em mais de 90 países, dialoga intensamente com as sociedades locais e fomenta a discussão, participação e atuação artística e cultural. Lamentamos manifestações que incitem o ódio e as ameaças à liberdade de expressão”.

Relato do artista – Em entrevista ao jornal Zero Hora, Rafael descreveu a obra como “Teorlogia 171” e afirmou que a obra simbolizada a transformação de Jesus em um demônio.

Algumas publicações - Veja, Zero HoraJornal do Comércio

Castanha do Pará

Foto - divulgação

Data – 16/04/2018

Local – Parque Shopping Belém

Cidade – Belém/PA

Censor – empresa

Caso – A capa da HQ “Castanha do Pará”, do quadrinista Gidalti Moura Jr, foi retira de exposição no shopping após pressão nas redes sociais. A obra mostra um policial militar em ato de repressão contra um menino negro no Mercado Ver-o-Peso. O shopping e a organização da mostra afirmaram em nota conjunta que “a mudança ocorreu diante de manifestações de frequentadores do shopping que se sentiram incomodados com a cena de violência, no espaço que é frequentado por crianças”.

Relato do artista - "É imperdoável tomar partido pela opressão. Isso é um erro e precisa ser apreciado. Quando pessoas agressivas e extremistas atuam nas redes sociais e acabam influenciando as decisões na prática, isso é perigoso. E acho que foi isso que aconteceu nesse caso. O problema não é a ignorância de certas pessoas, isso é inevitável. O problema é quando uma instituição dá voz a um grupo de pessoas tão desinformados, que não têm argumentos, que estão pautados na violência e na mentira." (Gidalti, em entrevista ao Uol)

Algumas publicações  - Ponte, Uol, Revista Cult

Santificados

Imagem - divulgação

Data - 13/03/2018

Local - Centro de Cultura Ordovás

Cidade - Caxias do Sul/RS 

Censor - Poder Executivo (prefeitura)

Caso - A exposição "Santificados", com 20 obras do artistas Rafael Dambros, trazia quadros que abordavam o nu masculino a partir de representações de santos católicos. A mostra estava prevista para ser aberta no Centro Cultural Ordovás, da prefeitura, mas foi cancelada três dias antes da abertura com a jusitificativa de uma reforma no transformador de energia e consequente fechamento temporário do prédio. Só voltou a ser reaberta no final de 2018, na Câmara de Vereadores. Ainda assim, o artista, que já havia sofrido ameaças, voltou a ser atacado pela sociedade e por autoridades como o próprio prefeito, que soltou nota proibindo escolas municipais de visitarem a mostra. Apesar dos ataques, a exposição seguiu até o final de novembro. 

Relato do artista - "A exposição é resultado de uma pesquisa de três anos junto a referências de imagens e textos bíblicos. Selecionei alguns da iconografia católica, como São Francisco, São Roque e Santa Verônica, fazendo uma releitura mais contemporânea desses ícones. A nudez não é sexual, muito menos de corpo, é uma nudez da verdade. Quando trabalhamos com imagem, utilizamos signos que remetem a essa interpretação" (Entrevista ao jornal O Pioneiro)

Algumas publicações - O Pioneiro, O Pioneiro

Peito Aberto


Foto - divulgação

Data – 24/10/2017

Local – hospital da região

Cidade – Vila Velha/ES

Censor – gestor público

Caso – Doze obras do artista Caio Cruz estavam em exposição no Teatro Municipal de Vila Velha. Com temática de prevenção ao Câncer de Mama, a mostra retratava mulheres que passaram pela cirurgia mastectomia. O artista foi convidado a expor suas obras em hospitais da região, mas uma delas foi impedida de ser exposta em um hospital por conter nudez.  Segundo o artista, o hospital estudou colocar um pano preto diante da tela e, mais tarde, decidiu impedir a exibição.

Relato do artista - “Eu me senti desrespeitado como artista. Nós estamos sofrendo uma crise na arte e temos que aprender a desassociar a nudez artística da pornografia. Por outro lado, estou tendo todo o apoio do teatro e da galeria que fica ao lado.” (Caio Cruz, em entrevista ao g1)

Algumas publicações  - Portal g1, Leia Já 

Eu Amo Cuiabá

Foto - reprodução/Youtube

Data – 21/09/2017

Local – Shopping Pantanal

Cidade – Cuiabá/MT

Censor – empresa

Caso – Prevista para ocorrer até 29 de setembro, a mostra teve sua exibição interrompida pelo shopping após o vídeo de um frequentador do local viralizar nas redes, acusando a mostra a fazer apologia às drogas e à pornografia. Após o vídeo, um quadro foi retirado da mostra. A obra trazia a frase “crack is wack” (droga é ruim), com o desenho de duas pessoas consumindo droga. Posteriormente, toda a mostra foi cancelada.

Relato do artista - “Não podemos admitir censura de jeito nenhum. É perigoso voltar esse processo de censura à arte no Brasil. Se aceitarmos uma coisa dessas, daqui a pouco os artistas vão ficar até com medo de elaborar horas, com medo de ninguém aceitar mais. Aí a arte vai ficar limitada. (Gervane de Paula, um dos artistas censurados, em entrevista ao Hiper Notícias)

Algumas publicações  - Hiper Notícias, Repórter MT

O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu

Foto - divulgação

Data – 15/09/2017 e 30/06/2018

Local – Sesc Jundiaí e Festival de Inverno de Garanhuns (FIG)

Cidade – Jundiaí/SP e Garanhuns/PE Censor – Poder Judiciário e Poder Executivo (governo e prefeitura)

Caso – O espetáculo, que traz uma personagem trans no papel de Jesus Cristo, estrearia no dia 16 em Jundiaí. Adaptação da dramaturga inglesa Jo Clifford, o monólogo abordar passagens bíblicas por um viés contemporâneo, refletindo sobre temas como a tolerância e o respeito às diferenças. Após ação ajuizada por uma advogada, o juiz Luiz Antonio de Campos Júnior, da 1ª Vara Cível da cidade proibiu a peça de ser apresentada na cidade em caráter liminar, afirmando que o espetáculo de “macula o sentimento do cidadão comum”. A decisão foi revertida somente em 21 de fevereiro de 2018, pelo desembargador José Luiz Monaco da Silva.

Também houve tentativa de censura em Garanhuns, no Pernambuco. Prevista para estrear em julho de 2018 no Festival de Inverno, a peça chegou a ter sua exibição cancelada pelo governo no final de junho, “diante da polêmica causada pela atração e da possibilidade de prejuízos das parcerias estratégicas e nobres que o viabilizam (o festival)”. A prefeitura também afirmou que vetaria a sessão. Um mês depois, no dia 24 de julho, o Tribunal de Justiça de Pernambuco de terminou que a peça fosse exibida, considerando o princípio da liberdade de expressão previsto no artigo 5º. Ação semelhante à de Jundiaí foi ajuizada em Porto Alegre no dia 18 de setembro de 2018, mas a Justiça decidiu manter a exibição da peça.

Relato da diretora - “O texto é baseado em uma mensagem de humanidade, proteção da vida e de como coletivamente é possível pensar em um mundo igualitário. A peça sonha com isso, perdoa a todos, é fundamentalmente cristã. Sem falar na interpretação de Renata, que é fantástica. Esses ataques vêm escancarar todo o preconceito. Eu aproveito e faço esse convite para quem critica: vem ver qual a ofensa na peça, qual a ofensa em ser travesti? Do nosso ponto de vista, não há nenhum.” (diretora Natalia Mallo, em entrevista ao Diário de Pernambuco).

Algumas publicações  - Conjur, Folha, Diário de Pernambuco, Zero Hora

Cadafalso

Foto - divulgação

Data – 14/09/2017

Local – Museu de Arte Contemporânea

Cidade – Campo Grande/MS

Censor – Poder Legislativo/Polícia Civil

 Caso – Deputados estaduais do MS acionaram a polícia, registrando boletim de ocorrência com o pedido de que uma obra, intitulada “Pedofilia”, fosse retirada da mostra Cadafalso, assinada pela artista mineira Alessandra Cunha. A mostra tinha como tema a crítica à violência contra a mulher. Sem mandato ou ordem judicial, o delegado responsável pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) apreendeu o quadro. O Museu se posicionou contrário à apreensão. No dia 16, a obra voltou a ser exposta no mesmo local.

Relato da artista – “Acredito que o tema é tão tabu, que não podemos nem tocar no nome. Não se pode nem usar a palavra ‘pedofilia’ para dar título a uma pintura que vão se ofender, já que na pintura em si não há nenhuma imagem de violência em si, ela apenas denuncia que isso existe em nossa sociedade.” (Em entrevista à Veja)

Algumas publicações - Uai, Campo Grande news, G1

Mitra, Food Truck em nome de Deus

Foto - divulgação

Data – 09/07/2017

Local – Centro Cultural Adamastor

Cidade – Guarulhos – SP

Censor – Poder Executivo (prefeitura)

Caso - Dois quadros foram retirados da exposição “Mitra, Food Truck em nome de Deus”, composta por 11 pinturas a óleo e acrílicas no dia 9 de setembro. As obras “Em nome do pai, do filho e do espírito santo” e “Corpo e o Sangue de Cristo”, do artista Ailton Diller Malaquias, abordavam “a pedofilia na Igreja” e “o modo como alguns religiosos vendem a imagem de Cristo”, segundo o artista, que afirmou que a Igreja foi a responsável por pressionar a prefeitura para a censura das obras. Além da retirada, a prefeitura também apagou informações sobre a mostra do site oficial. Em entrevista, o bispo da Diocese negou que tenha havido pressão. Já a prefeitura emitiu nota afirmando que o conteúdo das obras “era inapropriado ao público que circula pelo hall de exposições do Adamastor Centro. Embora a classificação etária fosse 16 anos, isso não impediu que pessoas (pais e responsáveis) com crianças se sentissem incomodadas pela facilidade ao acesso visual das obras”.

Relato do artista – “Sou de família católica, não tenho nada contra a religião, mas sou contra a hipocrisia religiosa. Aceito repudio ou que a pessoa possa discordar da história, promovo diálogo, mas censurar é coisa de ditadura” (Em entrevista ao Guarulhos Hoje)

Algumas publicações -  Guarulhos Hoje, Guarulhos Hoje 

Queermuseu - Cartografias da diferença na arte brasileira

Foto - reprodução 

Data – 10/09/2017

Cidade – Porto Alegre/RS

Local – Santander Cultural

Censor – sociedade/empresa

Caso – Aberta no dia 15 de agosto de 2017, a mostra incluía 270 obras, que abordavam, entre os temas, questões de gênero e diversidade sexual. Ao todo, obras de 85 artistas estavam expostas na mostra, com curadoria de Gaudêncio Fidelis. Com acusações de que as obras incitavam a pedofilia, a zoofilia e a “imoralidade”, sujeitos e grupos da sociedade civil, como o Movimento Brasil Livre, passaram a pressionar a instituição onde estava sediada a mostra, com protestos principalmente nas redes sociais, com o objetivo de provocar seu fechamento. No dia 10, o Santander Cultural decidiu cancelar a mostra, que estava prevista para ocorrer até outubro. “Ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição 'Queermuseu' desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”, dizia a nota divulgada pela instituição.

Relato do curador – “Cinco membros do MBL, alternadamente, ingressam na exposição, na tarde do dia 6 de setembro de 2017, com câmeras, fazendo vídeos e abordando e assediando os visitantes, dizendo coisas que até hoje tenho dificuldade de repetir, mas estão nos mais de 10 mil vídeos no YouTube. Tem muitos que são difamatórios. Eles continuam esses ataques na sexta e no sábado, e o Santander fecha a exposição no domingo sem consultar a mim, como curador, nem a produção. Foi uma decisão unilateral. Essas narrativas falsas que eles construíram crescem e se juntam a narrativas de grupos ligados ao Bolsonaro e outros setores ultraconservadores da sociedade.” (Em entrevista ao El País)

Algumas Publicações - Extra, Estadão , Folha

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